Especialistas alertam que o uso de artefatos explosivos submarinos em estreitos estratégicos, como o de Ormuz, pode paralisar o comércio global de petróleo e escalar o conflito no Oriente Médio.
A escalada das tensões no Oriente Médio trouxe de volta ao centro do debate estratégico uma das armas mais antigas e eficazes da guerra naval: as minas submarinas. Com o agravamento do conflito envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel, o temor de que o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo — seja minerado tornou-se uma preocupação central para a economia e a segurança global.
As minas navais são dispositivos explosivos depositados na água para destruir navios ou submarinos. Diferente dos mísseis, que são armas de precisão e ataque imediato, as minas são armas de “negação de área”. Elas são baratas, difíceis de detectar e podem permanecer ativas por décadas, criando um bloqueio psicológico e físico que interrompe o fluxo de navios cargueiros e petroleiros.
O Poder de Paralisia
Existem diversos tipos de minas: as de contato, que explodem ao serem tocadas pelo casco; as de influência, que detectam assinaturas magnéticas, acústicas ou de pressão dos navios; e as minas de fundo, escondidas no leito do mar. Para o Irã, o uso dessas armas é uma forma de compensar a disparidade tecnológica em relação à Marinha dos EUA, permitindo uma guerra assimétrica que pode fechar rotas comerciais vitais sem a necessidade de um confronto direto entre frotas.
A comunidade internacional monitora de perto o movimento de embarcações de pequeno porte que poderiam ser usadas para semear esses artefatos. Se o Estreito de Ormuz ou o Mar Vermelho forem considerados “zonas de minas”, o custo do seguro para navegação dispararia, podendo causar um choque nos preços de energia em escala mundial. A remoção dessas minas (varredura) é um processo lento, perigoso e caro, o que agrava ainda mais o potencial de uma crise prolongada.




