Agência científica esclarece que a vibração registrada nos sismógrafos foi provocada pelo próprio colapso maciço de gelo e rocha nas montanhas; nova represa de detritos eleva risco de cheias na Índia.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) retificou, na tarde desta quarta-feira (26), os relatórios técnicos preliminares e confirmou que não houve terremoto tectônico antecedendo a mega avalanche de lama e detritos que devastou a fronteira entre o Nepal e o território do Tibete. O desastre já provocou a morte de ao menos 160 pessoas e mantém centenas de desaparecidos nos vales do Himalaia.
Inicialmente, os sensores internacionais haviam emitido um alerta automático para um abalo sísmico de magnitude 4,4, com hipocentro estimado a 10 quilômetros de profundidade. No entanto, análises aprofundadas dos sismogramas e imagens de satélite revelaram que o sinal de energia captado foi gerado exclusivamente pelo impacto mecânico da queda de montanha e do colapso de geleiras.
Retratação Oficial do USGS
Em comunicado emitido para atualizar a base de dados geofísicos, o USGS detalhou a revisão dos parâmetros sísmicos:
“Este evento foi inicialmente registrado como um terremoto de magnitude 4,4. Análises adicionais de ondas sísmicas de longo período indicam que a energia sísmica foi, na verdade, gerada por um deslizamento de terra. A localização do evento foi estimada a partir de imagens de satélite.”
— USGS, em nota técnica oficial.
Especialistas em geomorfologia apontam que o aquecimento acelerado na cadeia do Himalaia fragiliza a sustentação de massas de gelo e rocha. Com o represamento e acúmulo hídrico causados por chuvas e degelo prévios, as bacias de altitude atingem sobrecarga estrutural e entram em colapso repentino sem a necessidade de um choque tectônico prévio.
Risco de Nova Enxurrada e Alerta na Índia
Enquanto equipes do Exército nepalês e da China atuam nas operações de busca em vilarejos como Syabrubesi e no porto de Gyirong, autoridades de emergência monitoram o surgimento de uma nova ameaça hidrológica:
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Bloqueio no Rio Lhende Khola: Frações volumosas de gelo e rochas formaram uma barragem natural a montante do leito do rio. O represamento acumula milhões de metros cúbicos de água barrenta e pode romper repentinamente caso a pressão hidrostática continue subindo.
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Impacto Transfronteiriço na Índia: Como a bacia do Lhende Khola alimenta o sistema hidrográfico do Bhote Koshi que desce em direção à planície do Rio Ganges, a Defesa Civil da Índia emitiu alertas de cheia e evacuação preventiva nos estados de Bihar e Uttar Pradesh, situados a centenas de quilômetros do epicentro da avalanche.
O portal VTnews continua acompanhando as atualizações dos institutos de geociências e o socorro às vítimas do desastre no Nepal.




