Gigantes do setor privado enviaram ofícios ao governo americano alertando que sobretaxa de até 25% prejudicará competitividade, cadeias de suprimentos e bolso dos consumidores nos EUA.
Grandes corporações norte-americanas e globais, incluindo Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay, uniram forças e enviaram manifestações formais ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) solicitando que produtos importados do Brasil sejam poupados de novas barreiras alfandegárias. Os ofícios, protocolados na última semana, alertam que as tarifas sugeridas contra os insumos brasileiros trarão prejuízos imediatos à própria economia e competitividade dos Estados Unidos.
A forte mobilização do setor privado coincide com o início das audiências públicas sobre o tema em Washington. O governo norte-americano avalia a imposição de uma sobretaxa de 25% — além de uma tarifa adicional de 12,5% — sob a alegação de que as práticas comerciais do governo brasileiro “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos. A ofensiva tarifária ocorre em meio a um cenário de acentuada tensão diplomática entre os dois países.
Apesar do conturbado cenário político, as multinacionais detalharam ao órgão responsável pela política comercial dos EUA a dependência direta que possuem em relação ao mercado brasileiro para manter suas operações domésticas viáveis:
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Tesla: A montadora de veículos elétricos de Elon Musk solicitou a exclusão de insumos industriais e matérias-primas vindas do Brasil. A empresa argumentou que, embora invista bilhões de dólares para nacionalizar e diversificar sua cadeia de suprimentos nas Américas, componentes vitais para os setores de baterias, robótica e veículos elétricos ainda não possuem produção correspondente nos EUA em escala e qualidade suficientes no curto prazo.
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Coca-Cola: A gigante das bebidas pediu a manutenção da isenção projetada para os insumos e derivados de laranja e solicitou que o mesmo benefício seja estendido aos produtos de limão. A companhia destacou que a produção citrícola da Flórida sofreu um declínio acentuado nos últimos anos devido a pragas e problemas climáticos, tornando o Brasil um fornecedor indispensável para preencher a lacuna de abastecimento e conter a pressão de custos no mercado norte-americano.
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Nestlé: A multinacional suíça requereu a inclusão do café solúvel não aromatizado e do colágeno bovino na lista de itens isentos. A Nestlé frisou que o café em grão não pode ser cultivado em escala comercial no território continental dos EUA e que o Brasil é o principal exportador global de colágeno bovino, insumo considerado crítico e insubstituível para algumas de suas linhas mais populares de produtos de saúde e bem-estar.
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eBay: A plataforma de comércio eletrônico defendeu uma isenção específica e irrestrita para produtos de segunda mão, usados e seminovos qualificados. O marketplace argumentou que tarifas desenhadas para atingir a produção industrial ou agrícola do Brasil não deveriam incidir sobre mercadorias que já cumpriram seu ciclo de vida primário, apontando ainda que a exigência criaria severas perturbações econômicas a pequenos comerciantes e consumidores de menor renda, além de entraves operacionais na identificação de origem de itens que chegam para revenda sem etiquetas.
Além das quatro gigantes, outras marcas de peso como Siemens, Faber-Castell e a brasileira Bauducco (que opera uma fábrica na Flórida) também integraram a lista de manifestações enviadas ao USTR para frear os impactos do tarifaço. O governo americano analisará os comentários colhidos durante o período de consultas e audiências antes de anunciar a listagem definitiva de produtos afetados e as respectivas concessões de isenção.




