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Cuiabá registra 250 denúncias de violência contra idosos e número pode dobrar em comparação com o ano passado

Alerta emitido pela Polícia Civil aponta que estatísticas registradas de janeiro a maio já superam metade de todas as ocorrências do ano de 2025.

A Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa de Cuiabá emitiu um sinal de alerta preocupante em relação aos indicadores sociais da capital mato-grossense. Dados oficiais revelam que, somente nos primeiros cinco meses de 2026 (de janeiro a maio), foram contabilizadas 250 denúncias formais de violência contra idosos. O número acendeu a luz vermelha na segurança pública, pois já representa mais da metade de todas as ocorrências catalogadas ao longo do ano passado, quando o município fechou o balanço anual com 380 casos registrados.

Segundo as projeções e análises estatísticas da Polícia Civil, caso o atual ritmo de notificações se mantenha inalterado nos próximos meses, o volume total de crimes e abusos contra a população com mais de 60 anos pode praticamente dobrar na capital em comparação com o encerramento de 2025. O delegado titular da unidade especializada, Marco Aurélio Veloso, ressaltou que esse crescimento numérico também reflete um lado positivo: o aumento do acesso à informação pela imprensa, que encoraja a população e as próprias vítimas a denunciarem as agressões físicas, psicológicas e patrimoniais sofridas.

O cenário preocupante local acompanha uma tendência histórica mais ampla revelada pelo Atlas da Violência, que apontou um crescimento severo de quase 200% nos casos de violência interpessoal contra idosos no estado de Mato Grosso ao longo da última década. As investigações policiais indicam que a violência atinge pessoas de todas as classes sociais, níveis de escolaridade e faixas de renda, e ocorre predominantemente no âmbito familiar, muitas vezes perpetrada por aqueles que deveriam exercer o papel de cuidadores e protetores.

Diante do diagnóstico, a polícia e especialistas cobram medidas urgentes de assistência integrada para suprir as deficiências estruturais da capital, que não conta atualmente com uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) gerida de forma 100% pública. Entre as soluções propostas pelas autoridades para mitigar a vulnerabilidade social desse público, está a implantação do modelo conhecido como “Centro Dia” — espaços públicos onde os idosos recebem atendimento especializado, realizam atividades e se alimentam durante a jornada diurna, mas retornam para suas casas à noite, preservando os vínculos comunitários e o acolhimento familiar de forma segura.

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