Mandados foram cumpridos em três cidades; investigação apura preços inflacionados e desvios na contratação de empresa organizadora.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (15 de abril), a Operação Areia Movediça, focada em desarticular um esquema de fraudes em licitações e execução de contratos públicos. A investigação, conduzida pela Delegacia de Araguaiana, mira irregularidades na contratação de uma empresa responsável pela organização de um evento desportivo no município. Ao todo, foram cumpridos dez mandados judiciais — entre buscas e apreensões e ordens de afastamento — nas cidades de Araguaiana, Barra do Garças e Pontal do Araguaia.
O inquérito aponta indícios de um certame “montado” para favorecer uma empresa específica. Segundo os investigadores, os itens contratados apresentavam sobrepreço significativo, especialmente em materiais desportivos, camisolas e troféus. Além das fraudes no processo licitatório, a polícia identificou inconsistências graves na execução financeira do contrato, com suspeitas de que os recursos destinados a premiações não tenham chegado ao seu destino final ou tenham sido desviados.
Alvos e Medidas Judiciais
Os mandados de busca visam a recolha de documentos, computadores e dispositivos móveis que possam comprovar o conluio entre agentes públicos e empresários. A Justiça também determinou medidas cautelares, incluindo o afastamento de servidores públicos suspeitos de envolvimento direto na facilitação das fraudes. A operação recebeu o nome de “Areia Movediça” em alusão à instabilidade e ao perigo dos negócios ilícitos que tentam “sugar” o património público através de aparências enganosas.
Próximos Passos
Todo o material apreendido será submetido a perícia técnica e análise de dados para identificar o montante total do prejuízo causado aos cofres municipais. A Polícia Civil ressalta que a investigação ainda está em curso e que novos nomes podem surgir à medida que as provas forem processadas. Este caso reforça o combate à corrupção em pequenos e médios municípios, onde a gestão de recursos para eventos e lazer tem sido alvo constante de auditorias e operações policiais em Mato Grosso.




