Governo Trump respondeu formalmente à Organização Mundial do Comércio e se colocou pronto para negociação; Palácio do Planalto vê passo positivo.
Os Estados Unidos aceitaram formalmente discutir na Organização Mundial do Comércio (OMC) o conjunto de sobretaxas impostas às exportações brasileiras. A resposta americana foi enviada em documento oficial à entidade, no qual o governo de Donald Trump confirma ter recebido a solicitação do Brasil e declara estar pronto para realizar as consultas.
O Brasil acionou o organismo internacional no final de julho para contestar as duas mais recentes tarifas aplicadas pelos EUA: uma alíquota de 25%, sob a alegação de práticas comerciais injustas, e outra de 12,5%, fundamentada em supostas falhas no combate ao trabalho forçado.
Argumentos do Brasil e o Funcionamento da Consulta
Em sua petição, a diplomacia brasileira argumenta que a imposição dos tributos desrespeita as normas internacionais da OMC e anula princípios multilaterais que deveriam ser aplicados a todas as nações. O governo brasileiro sustenta que o “tarifaço” tem caráter discriminatório, desconsidera critérios técnicos e possui motivação estritamente política.
O instrumento acionado pelo Brasil — a solicitação de consulta — funciona como uma etapa de mediação e solução de controvérsias:
-
Prazo de Negociação: Abre uma janela de até 60 dias para que as partes envolvidas negociem e tentem chegar a um acordo.
-
Adesão de Outras Nações: Permite que outros países impactados por políticas comerciais semelhantes ingressem formalmente no processo.
Aproveitando a abertura do mecanismo, a China aderiu ao processo. Em documento enviado à OMC, o governo chinês afirmou que as taxas americanas afetam as exportações do país para os EUA e prejudicam as condições de justa concorrência no mercado norte-americano.
Avaliação Diplomática e Análise de Especialistas
Embora a diplomacia brasileira considere a consulta na OMC um procedimento de caráter precipuamente simbólico, o Palácio do Planalto avaliou o aceite norte-americano como uma sinalização positiva, visto que o governo Trump tinha a opção de ignorar o requerimento.
Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, tanto a aceitação dos EUA quanto a adesão da China representam movimentos válidos, embora o cenário global exija cautela contínua:
“São dois pequenos passos positivos. Caminho longo, mas mostra que existe aí um potencial para ter conversas produtivas ao longo das próximas semanas e meses. É preciso se preparar para um cenário de incerteza permanente. Mesmo depois de um acordo, pode haver novas mudanças. A relação comercial com os Estados Unidos é, e será conturbada enquanto Trump for o presidente dos Estados Unidos.”




