Abilio Vê "Livramento" em Derrota de Flávio Bolsonaro e Afirma: "Lula Terá Gestão Igual ao Dilma II"
Prefeito de Cuiabá comparou reviravolta eleitoral do senador à sua derrota em 2020 e sustentou que o petista herdará colapso financeiro com necessidade de cortes fiscais severos.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), declarou que o resultado desfavorável nas urnas para o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial de 2026 representou um "livramento de Deus". Para o chefe do Executivo da capital mato-grossense, o parlamentar liberal se esquivou de assumir uma "bomba econômica" armada no orçamento público federal, projetando que o novo mandato do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará um cenário de forte retração fiscal semelhante ao segundo governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Para sustentar sua interpretação, Abilio traçou um paralelo direto entre a dinâmica do segundo turno presidencial deste ano e sua própria experiência nas eleições municipais de Cuiabá em 2020. Na ocasião, o liberal liderou as intenções e terminou o primeiro turno na dianteira, mas acabou sofrendo a virada na votação decisiva contra Emanuel Pinheiro (PSD) — repetindo a trajetória do pleito presidencial do último domingo (25).
Na ótica de Abilio, o revés sofrido há seis anos acabou sendo decisivo para o amadurecimento e a preservação de seu capital político, livrando-o do desgaste de administrar o município diante do endividamento financeiro acumulado pela prefeitura:
"Ter perdido em 2020 foi uma salvação na minha vida. Porque aí fui cuidar dos meus filhos, virei deputado federal e depois voltei para a Prefeitura com uma bagagem um pouco melhor. Acredito que para o Flávio ter perdido essa eleição foi livramento de Deus."
— Abilio Brunini, prefeito de Cuiabá.
Ajuste Fiscal e Crise no Planalto
O prefeito cuiabano apontou que as crises estruturais do município acabaram recaindo integralmente sobre o mandatário anterior, que encerrou a gestão com passivos bilionários, impasses na folha salarial de servidores e forte desgaste de popularidade. Ao transpor o raciocínio para a conjuntura de Brasília, Abilio avaliou que o Palácio do Planalto terá de executar reformas impopulares e cortes drásticos de despesas para manter o equilíbrio das contas públicas:
"O que estamos vendo é um colapso financeiro programado. O Lula agora vai fazer um governo igual ao Dilma II. Se o Flávio ganha, o Lula não ia fazer nenhuma dessas revisões econômicas, ia deixar quieto até o fim do mandato e o Flávio ia assumir essa bomba. Ao invés disso, com o Lula ganhando, vai fazer tudo isso e petistas vão aceitar calados."
— Abilio Brunini, em declaração à imprensa.
O gestor reforçou que a fatura política do ajuste orçamentário recairá sobre o próprio campo progressista, citando que a nova administração será compelida a promover contingenciamentos expressivos em áreas sensíveis para o eleitorado de esquerda, como a dotação de universidades federais, a rede de institutos federais de educação e grandes projetos de infraestrutura da União.
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