Em acordo de líderes, Senado tenta acelerar e votar redução da maioridade penal nesta semana
Após aprovação da PEC da Segurança Pública sem emendas polêmicas, articuladores propõem rito sumário de urgência para analisar propostas que reduzem idade penal para 14 ou 16 anos.
Lideranças partidárias no Senado Federal costuraram um acordo político na noite desta terça-feira (3) para acelerar a tramitação de propostas que tratam da redução da maioridade penal no Brasil. A articulação, puxada pela bancada do MDB, mira a aprovação de requerimentos de urgência para levar o tema diretamente à deliberação do plenário já nesta quarta-feira (4), em votação em dois turnos.
O entendimento começou a ser desenhado paralelamente à votação definitiva da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A aprovação da matéria sem a inclusão da menoridade atendeu a um apelo direto do Palácio do Planalto, que pretendia desvincular o texto de segurança de um tema juridicamente complexo. No entanto, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), propunha remeter as emendas para uma análise inicial e detalhada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o líder do MDB, senador Eduardo Braga (AM), sustentou que a Casa Alta deve enfrentar e liquidar a matéria imediatamente.
Para destravar a votação rápida, Braga articulou uma convergência procedimental com o líder do PT, Camilo Santana (CE), e com o líder do PL, Carlos Portinho (RJ):
"A minha sugestão — que falei ainda há pouco com o senador Camilo e com o senador Carlos Portinho — é de que amanhã, aqui no Plenário, nós apresentássemos um requerimento de urgência e de quebra de interstício para que nós pudéssemos votar, aqui no plenário do Senado, a PEC de autoria do senador Camilo Santana, que estabelece maioridade penal a partir de 16 anos para crimes hediondos, que me parece que constrói o entendimento."
— Eduardo Braga, líder do MDB no Senado.
Disputa entre 14 e 16 anos e cautela da base governista
Apesar do consenso em torno do rito de tramitação acelerada, ainda não há entendimento de mérito consolidado sobre qual índice de redução prevalecerá na votação. O plenário terá de escolher entre duas vertentes antagônicas apresentadas pelas maiores bancadas:
Emenda do PL: Reduz a maioridade penal para 16 anos em crimes comuns e de menor gravidade, fixando a idade penal em 14 anos para delitos qualificados como hediondos;
Emenda do PT: Mantém a maioridade civil e penal padrão aos 18 anos, mas flexibiliza a punição penal a partir dos 16 anos exclusivamente para casos de crimes hediondos.
O senador Carlos Portinho comemorou a abertura do debate, sustentando que a oposição continuará defendendo o marco de 14 anos, mas avaliou como um "grande avanço" a disposição do governo de admitir algum nível de redução. O posicionamento alinha-se a falas do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a corrida eleitoral, quando manifestou apoio pessoal à punição mais rigorosa para jovens de 16 anos envolvidos em atos hediondos.

Por sua vez, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), adotou cautela institucional e ponderou que a apreciação não deve ocorrer sem segurança técnica e constitucional:
"É um debate que precisa ser feito, mas é um debate que precisa considerar muitas variáveis. É um debate que não pode ser feito de afogadilho, é um debate que tem relação com constitucionalidades também. E se a gente vai enfrentar esse debate, tem que enfrentar com a segurança que ele requer."
— Teresa Leitão, líder do governo no Senado.
Desmembramento estratégico da PEC da Segurança
A deliberação em separado foi viabilizada graças a uma manobra legislativa articulada pelo relator da PEC da Segurança Pública, senador Rogério Carvalho (PT-SE). Durante a sessão, o relator aprovou um requerimento transformando os dois destaques polêmicos em Propostas de Emenda à Constituição autônomas.
O desenho inicial do desmembramento previa o encaminhamento burocrático dos textos à CCJ ou a espera pela conclusão de uma PEC análoga que já tramita formalmente na Câmara dos Deputados. Todavia, a pressão de parlamentares da oposição e de bancadas de centro reabriu a ofensiva para que os senadores definam os novos limites da maioridade penal sem depender do tempo das comissões temáticas.
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