Governo dos EUA 'Não se Envolveu Diretamente' na Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, Diz Marco Rubio
Secretário de Estado confirmou que Trump autorizou entrada condicional (parole) do senador; imprensa norte-americana aponta que assessor da Casa Branca e cúpula de Milei articularam voo fretado.
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou neste sábado (31) que a administração do presidente Donald Trump não teve ingerência direta sobre a logística que viabilizou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do território brasileiro. O parlamentar viajou para a América do Norte logo após a confirmação da derrota eleitoral no segundo turno e em meio ao descumprimento de uma ordem cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a retenção de seus passaportes.
Em declaração à imprensa, o chefe da diplomacia norte-americana buscou distanciar as estruturas formais do governo dos trâmites operacionais da viagem, embora tenha confirmado que a acolhida do político brasileiro já havia sido chancelada previamente pelo Salão Oval:
“Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas. O presidente deixou claro que, se ele chegasse aos Estados Unidos por um ponto de entrada, receberia autorização de entrada condicional (parole). E foi isso que aconteceu.”
— Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.
Rubio informou ainda que tem encontro bilateral programado com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante a cúpula de chanceleres do G7, que ocorrerá na França.
Articulação de Assessor de Trump e Governo Milei
A despeito da negativa oficial de intervenção do Departamento de Estado, investigações jornalísticas publicadas por veículos da imprensa norte-americana revelam a atuação direta de aliados do núcleo duro de Donald Trump na rota de escape montada para Flávio Bolsonaro.
Reportagem divulgada pelo jornal The Wall Street Journal apontou que o assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, atuou nos bastidores para viabilizar a contratação do jato executivo particular utilizado pelo senador e seus familiares. O plano contou ainda com a coordenação estratégica de Santiago Caputo, um dos conselheiros mais influentes do presidente argentino, Javier Milei:
"Depois de cruzar a fronteira do Brasil com a Argentina, o carro de Flávio Bolsonaro foi escoltado pela Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina até o posto de controle de imigração do Aeroporto Internacional das Cataratas do Iguaçu. Santiago Caputo manteve contato direto com Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que mora nos Estados Unidos desde o ano passado, para coordenar a operação. No aeroporto, um jato particular da Baires Fly, empresa de voos fretados, aguardava a família.”
— Trecho de reportagem do The Wall Street Journal.
Jason Miller reassumiu funções temporárias no governo norte-americano em setembro deste ano, após integrar a assessoria de confiança de Trump ao longo de seu primeiro mandato presidencial e em suas campanhas à Casa Branca. Miller mantém pontes com o bolsonarismo desde 2021, quando viajou a Brasília para agendas reservadas com o então presidente Jair Bolsonaro e com Eduardo Bolsonaro.
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