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Grupo ultraviolento ligado ao PCC e PGC é alvo de operação da PF contra tráfico e desvios policiais

Ação conjunta com a Receita Federal cumpre 102 mandados judiciais em sete estados; investigação apura blindados, torturas e cooptação de policiais civis, militares e rodoviário federal.

VT

Por Da Redação

04/11/2026 às 11:20

Grupo ultraviolento ligado ao PCC e PGC é alvo de operação da PF contra tráfico e desvios policiais
Foto: Grupo é investigado por tráfico de drogas e de armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos — Foto: Liniker Ribeiro; TV Morena/ Polícia Federal

A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Receita Federal, deflagrou na manhã desta quarta-feira (4) a Operação IFRIT para desarticular uma organização criminosa de perfil ultraviolento associada às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A força-tarefa cumpre ordens judiciais em sete unidades da Federação — Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia —, tendo como epicentro investigativo a capital sul-mato-grossense e a faixa de fronteira internacional.

Ao todo, foram expedidos pela Justiça Federal de Campo Grande 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. As decisões judiciais impuseram ainda três medidas de monitoração eletrônica com tornozeleira e o afastamento cautelar imediato das funções públicas de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, as equipes policiais concentraram diligências em pelo menos três endereços estratégicos: um galpão logístico de carga e descarga situado na Rua Ceará, um imóvel no bairro Vilas Boas e uma residência em condomínio fechado de alto padrão na saída para Cuiabá. Paralelamente, em Ponta Porã, viaturas descaracterizadas e ostensivas da PF e da Receita Federal cumpriram buscas em um condomínio residencial localizado na Rua General Osório, no centro do município fronteiriço.

Imóvel onde ao menos quatro policiais cumprem mandado em Campo Grande contra facções criminosas — Foto: André Salles

Blindados, execuções e cumplicidade de agentes públicos

De acordo com as apurações da PF, a organização criminosa era estruturada em torno de um núcleo familiar hegemônico e se caracterizava pelo emprego sistemático da violência armada. O bando utilizava armamento de grosso calibre, fuzis de uso restrito, veículos com blindagem de combate e bases logísticas fortificadas para impor o controle territorial contra facções rivais e garantir a cobrança de dívidas do narcotráfico.

O inquérito atribui ao grupo a autoria de sequestros, sessões de tortura, atentados patrimoniais e assassinatos seletivos. Um dos eixos mais sensíveis da investigação detalha a cooptação e a participação direta de agentes da segurança pública na estrutura da organização:

  • Policiais civis e militares de MS: Atuavam no repasse de informações privilegiadas e proteção operacional;

  • Policial rodoviário federal: Investigado por envolvimento logístico e facilitação de transporte;

  • Medidas disciplinares: Três agentes civis foram compulsoriamente afastados de suas funções por determinação judicial.

Rotas transnacionais e remessas para a Europa

A base operacional de distribuição internacional do grupo estava assentada na conurbação de fronteira seca entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A partir dessa faixa fronteiriça, a quadrilha orquestrava a aquisição de carregamentos de entorpecentes e arsenais de armas pesadas procedentes da Bolívia, do Peru e de entrepostos paraguaios.

Os carregamentos abasteciam redes de tráfico atacadista e varejista em múltiplos estados brasileiros controlados pelo PCC e pelo PGC. Além da distribuição doméstica, a organização geria rotas logísticas transcontinentais de exportação de cocaína para a Europa, mantendo a Espanha e Portugal como portas de entrada preferenciais das cargas ilícitas no continente europeu. Os valores obtidos eram pulverizados em esquemas complexos de lavagem de dinheiro, que incluíam empresas de fachada e imóveis de alto padrão.

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