Influenciadora Digital É Presa Pela Polícia Civil por Golpes Eletrônicos e Lavagem de Dinheiro em MT
Aryadna Cristina divulgou links de plataformas de apostas menos de 24 horas antes de ser detida; grupo movimentava valores do "golpe do falso parente" e causou prejuízo de mais de R$ 400 mil.
A influenciadora digital Aryadna Cristina foi presa na manhã desta quinta-feira (29) durante a deflagração da segunda fase da Operação Rede Oculta, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa especializada na aplicação de fraudes eletrônicas e na lavagem de capitais em Cuiabá e Várzea Grande. Menos de 24 horas antes da chegada das equipes policiais, a jovem realizou postagens ativas promovendo seis links diferentes de plataformas de apostas online em suas redes sociais.
A veiculação de apostas de quota fixa, cassinos digitais e jogos eletrônicos populares, a exemplo do "Jogo do Tigrinho", encontra-se proibida em todo o território nacional desde a publicação da Medida Provisória (MP) nº 1.394 em setembro, norma que vetou expressamente a publicidade, intermediação e exploração dessas modalidades.
Conforme a Polícia Civil, as publicações foram veiculadas na ferramenta de stories de um perfil reserva que reúne cerca de 7,6 mil seguidores, cuja biografia fazia menção a uma conta principal com cerca de 58 mil internautas. Nos perfis, a investigada ostentava uma rotina marcada por viagens, joias e aquisições de alto valor, perfil considerado pelos investigadores incompatível com a sua capacidade financeira e renda lícita formalmente declarada. A reportagem tenta localizar a defesa técnica de Aryadna.
Estrutura do Esquema e Prejuízo de R$ 400 Mil
Ao todo, a Justiça expediu 20 ordens judiciais direcionadas a cinco alvos na Região Metropolitana da capital, englobando mandados de prisão, buscas domiciliares, sequestro de veículos e a quebra de sigilo telemático para extração pericial dos dados de telefones celulares e computadores apreendidos. Além de Aryadna, o namorado da influenciadora e outras duas pessoas foram presas preventivamente. Um quinto integrante do bando permanece foragido.
As apurações apontam que o grupo aplicava fraudes na internet e em plataformas de compra e venda simulando o anúncio de veículos usados, além de operar táticas como o "golpe do falso parente" e do "falso funcionário de banco". Até o momento, o prejuízo comprovado das vítimas identificadas ultrapassa a marca de R$ 400 mil.
O dinheiro das vítimas era pulverizado por transferências Pix em contas de terceiros — alugadas ou cedidas por laranjas — em valores fracionados abaixo de R$ 10 mil para contornar os alertas do sistema financeiro. Os recursos eram depois centralizados em uma conta de passagem para a posterior compra de automóveis de luxo e joias. Uma das mulheres presas era responsável pelo recrutamento das contas correntes.

Ligação com Facção Criminosa e Histórico da Operação
Outro alvo central, um homem de 41 anos, exercia a gerência financeira da movimentação ilícita mesmo após ter saído do sistema prisional, contando com o apoio operacional da esposa, também detida na ação. Apontado como integrante de uma facção criminosa, ele foi flagrado com uma porção de entorpecentes durante o cumprimento das buscas, o que motivou a lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por posse de drogas para uso pessoal.
A primeira fase da Operação Rede Oculta ocorreu em 27 de maio de 2024, quando foram executadas 30 ordens judiciais contra 15 investigados, resultando no recolhimento de celulares e na apreensão de um automóvel avaliado em R$ 153 mil. A continuidade das apurações, iniciadas a partir de denúncias anônimas em 2023, consolidou-se por meio de análises periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e de quebras de sigilo bancário.
Os investigados foram indiciados pelos crimes de fraude eletrônica, lavagem de capitais e associação criminosa.
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