José Medeiros Pede Impeachment de Cristiano Zanin no Senado por Prorrogação de Votação no 2º Turno
Senador eleito por Mato Grosso acionou Davi Alcolumbre alegando que decisão do ministro do STF estendeu prazo para urnas em todo o país a partir de processo restrito a municípios baianos.
O deputado federal e senador eleito por Mato Grosso, José Medeiros (PL), protocolou na tarde de segunda-feira (26) um pedido formal de impeachment contra o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento foi encaminhado ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), cobrando a abertura de processo por crime de responsabilidade em virtude da atuação do magistrado durante o segundo turno da disputa presidencial.
O foco da denúncia recai sobre a decisão cautelar proferida por Zanin que determinou a extensão do período de votação até as 19h em todas as seções eleitorais do país no último domingo (25). A peça legislativa demanda que a Mesa Diretora do Senado examine a admissibilidade formal da representação para auditar os fundamentos jurídicos, a legalidade do alcance nacional fixado pelo ministro e os reflexos operacionais provocados nas rotinas da Justiça Eleitoral:
“A finalidade é assegurar que uma questão de elevada relevância para a regularidade do processo eleitoral seja apreciada com transparência, responsabilidade institucional e respeito ao Estado Democrático de Direito.”
— José Medeiros, senador eleito por Mato Grosso.
Reclamação da Bahia e Alcance Nacional
A ordem monocrática de Zanin foi despachada nos autos da Reclamação Constitucional nº 101.673/BA, motivada por relatos de desfalques e insuficiência de frota de transporte público urbano para o deslocamento de eleitores em três municípios baianos: Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
O congressista mato-grossense argumenta que, embora o polo passivo e os elementos probatórios da ação limitassem-se estritamente às cidades baianas, a determinação judicial acabou ampliada para todas as zonas eleitorais do território brasileiro, o que gerou distorções nas normas que regulam o horário de encerramento do pleito.
Outro ponto destacado na representação é a estreita margem de tempo entre a autuação e a expedição da ordem. O documento registra que o pedido inicial chegou ao conhecimento do gabinete do STF às 16h32min49s — restando apenas 27 minutos para o término regulamentar das votações, programado para as 17h.
Auditoria da Cronologia e Análise Técnica
Na peça apresentada ao Senado, Medeiros solicitou ainda o compartilhamento integral dos autos do processo, as cópias dos relatórios técnicos que embasaram o despacho e a preservação dos registros de troca de mensagens e ofícios eletrônicos mantidos entre o STF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
O parlamentar declarou que a requisição de informações busca reconstituir com precisão a cadeia cronológica de ordens e apurar como a determinação do STF foi absorvida pelas instâncias eleitorais:
“A denúncia, portanto, busca que o Senado Federal examine os fatos com rigor técnico, sem antecipação de culpa, e determine as providências cabíveis caso a documentação revele elementos juridicamente suficientes para tanto.”
O pedido aguarda despacho inicial da presidência do Senado, a quem compete decidir monocraticamente sobre a continuidade ou o arquivamento do processo contra integrantes da Suprema Corte.
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