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Líderes mundiais reagem à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos EUA

Governos europeus e africanos comemoram retomada do Congresso e acenam para alívio no clima e nas relações exteriores; Rússia, Irã e aliados de Trump projetam novas tensões globais.

VT

Por Da Redação

04/11/2026 às 11:59

Líderes mundiais reagem à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos EUA
Foto: Comemoração vitória democratas nas midterms — Foto: REUTERS

Chefes de Estado, ministros e lideranças internacionais reagiram nesta quarta-feira (4) à expressiva vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. A reconquista da maioria das cadeiras tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado representou um revés político histórico para a gestão do presidente republicano Donald Trump, redesenhando os equilíbrios de poder em Washington e provocando repercussões imediatas na geopolítica global.

Enquanto governantes do continente europeu e da África celebraram a mudança de correlação de forças no Capitólio como uma oportunidade de resgatar o multilateralismo e a cooperação ambiental, representantes da diplomacia russa, do parlamento iraniano e lideranças da direita conservadora adotaram postura crítica, antecipando impactos nas guerras em andamento e na economia mundial.

Donald Trump faz discurso no Memorial Lincoln, em Washington — Umit Bektas/Reuters

Celebração europeia e foco na pauta ambiental

Na Europa ocidental, chefes de governo interpretaram o resultado das urnas como uma rejeição enfática ao programa político e ao estilo confrontador do mandatário norte-americano. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou o desfecho eleitoral como parte de uma onda progressista global:

"Ontem, o povo americano votou contra políticas que servem apenas para empobrecer as pessoas. Contra o ódio. Contra o sexismo. Contra a negação das mudanças climáticas e contra os privilégios das elites. Aconteceu no Brasil. Acaba de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve na Espanha."

— Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha.

Na Noruega, o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre avaliou a guinada no Congresso norte-americano como "um poderoso sinal político de uma mudança de rumo entre os eleitores". De acordo com o líder nórdico, o fortalecimento dos democratas permite aproximar a diplomacia dos EUA das prioridades europeias em áreas como mitigação climática, sustentabilidade ambiental, acordos internacionais de desarmamento e cooperação humanitária internacional.

A mesma percepção foi compartilhada no continente africano pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que declarou que a nova composição parlamentar em Washington deve "introduzir uma nova era nas relações mundiais", sinalizando maior abertura para o diálogo entre o Sul Global e a Casa Branca.

Alertas de instabilidade em Bruxelas, Moscou e Teerã

Apesar do tom de alívio predominante entre democratas europeus, autoridades que acompanham o comércio bilateral manifestaram apreensão com os próximos passos da Casa Branca. O eurodeputado Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, celebrou o revés eleitoral, mas alertou para o perigo de radicalização institucional:

"Um golpe devastador para Trump e suas políticas. Uma grande vitória para a democracia americana. Os eleitores se pronunciaram: Trump só se importa com Trump. Agora ele está pagando o preço por isso. Nenhuma quantidade de gritos de 'notícias falsas' pode mudar esses fatos. Um Trump enfraquecido pode se tornar mais agressivo e imprevisível. Um pato manco pode rapidamente se transformar em um pato furioso. Para a União Europeia, isso é uma oportunidade e um alerta. Uma maior influência democrata pode trazer mais previsibilidade e diálogo. Mas o protecionismo americano não vai desaparecer."

— Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu.

No leste europeu e no Oriente Médio, as reações miraram os conflitos bélicos. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, minimizou a oscilação partidária em Washington e criticou o histórico de hostilidade dos democratas contra o Kremlin: "Nossa posição firme e consistente em relação à Ucrânia — assim como nossa política externa em geral — não se baseia em considerações de curto prazo e não depende das oscilações do cenário político em outros países. Continuaremos nosso trabalho de acordo com as diretrizes do presidente da Federação Russa", declarou.

Em Teerã, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou em publicação nas redes sociais que a votação refletiu o desgaste das intervenções externas: "Os americanos disseram não à guerra, e apoiamos essa mensagem. Se o governo dos Estados Unidos trair a vontade popular para servir a financiadores internacionais e chantagistas, aprenderá que nosso não vem acompanhado de um pesadelo".

Na Itália, Matteo Salvini, vice-premiê e expoente da coalizão de direita, defendeu o respeito ao resultado soberano das urnas, associando a derrota republicana ao aumento do custo de vida e às pressões inflacionárias decorrentes das tensões geopolíticas.

O funcionamento do modelo das 'midterms'

O sistema legislativo dos Estados Unidos possui dinâmica diferente do modelo brasileiro. A cada dois anos, o eleitorado renova integralmente as 435 vagas da Câmara dos Representantes (cujos mandatos duram dois anos) e cerca de um terço do Senado Federal (onde os mandatos são de seis anos).

Quando a rodada eleitoral coincide com o ponto médio do mandato de quatro anos do chefe do Poder Executivo, a disputa recebe o nome de midterms. Na votação deste ano, além de todas as cadeiras da Câmara Baixa, estiveram em disputa direta 35 dos 100 assentos da Câmara Alta, transferindo o controle do orçamento e das comissões de fiscalização para a oposição ao governo federal.


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