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Lula convoca ministro da Fazenda e economistas do PT para discutir medidas para economia após BC parar corte de juros

Encontro de emergência no Palácio da Alvorada debate contenção de despesas obrigatórias e cumprimento de metas fiscais depois de Copom manter taxa Selic em 13,75% ao ano.

VT

Por Da Redação

05/11/2026 às 13:18

Lula convoca ministro da Fazenda e economistas do PT para discutir medidas para economia após BC parar corte de juros
Foto: Lula e Dario Durigan — Foto: Washington Costa/MF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se no Palácio da Alvorada, a partir do meio-dia desta quinta-feira (5), com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, integrantes da equipe econômica, ex-ministros de gestões petistas e economistas ligados ao partido. O encontro de trabalho em caráter extraordinário foi convocado com o objetivo de desenhar um plano de medidas fiscais e econômicas logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir, na noite de quarta-feira (4), interromper o ciclo de afrouxamento monetário e fixar a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano.

A abertura das deliberações ficou a cargo do titular da Fazenda, incumbido de expor um diagnóstico detalhado sobre a conjuntura macroeconômica, a pressão orçamentária e as alternativas em estudo para assegurar o alcance das metas fiscais estipuladas pelo Executivo, sem comprometer os desembolsos voltados aos programas de transferência de renda e seguridade social.

Além de Dario Durigan e do vice-presidente Geraldo Alckmin, a lista de convocados incluiu os ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Miriam Belchior (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão e da Inovação em Serviços Públicos). A mesa contou ainda com a participação de nomes históricos do pensamento econômico do PT: os ex-ministros Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Guido Mantega, além dos economistas Laura Carvalho, Luciano Coutinho e Eduardo Moreira.

Travas a despesas obrigatórias e gradualismo fiscal

O pacote preliminar estruturado pela Fazenda prevê a ampliação do contingenciamento preventivo do orçamento e a formulação de travas operacionais contra a aceleração de gastos obrigatórios da União — com foco na equalização dos pisos constitucionais de áreas como saúde e educação —, sem que haja corte nominal nas verbas já destinadas aos setores essenciais.

A proposta defendida por Durigan junto ao presidente foca em um ajuste fiscal de natureza gradual e de médio prazo, sustentando que a previsibilidade das contas públicas é o único instrumento capaz de forçar o Banco Central a retomar a trajetória de cortes na taxa Selic ao longo do quarto mandato:

"Eu não vou fazer esse tipo de comentário valorativo, mas, mais uma vez, a taxa de juros no Brasil é muito alta. O esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos para que a gente diminua a taxa de juros."

— Dario Durigan, ministro da Fazenda.

Apesar da postura cautelosa adotada pelo chefe da Fazenda em declarações públicas, a cúpula partidária do PT e correntes internas aumentaram o tom das críticas contra a autoridade monetária pela interrupção da redução da Selic, resistindo abertamente à implementação de um aperto fiscal mais severo sobre o custeio da máquina pública.

Expectativa do mercado e pressão por plano crível

No setor financeiro, a expectativa gravita em torno do envio formal de um plano consistente de estabilização da dívida pública. Agentes do mercado têm sinalizado que não demandam do governo um "tesouraço" abrupto nas contas — nos moldes do discurso apresentado pela oposição durante o processo eleitoral —, mas sim garantias normativas de desaceleração do crescimento de gastos correntes.

Representantes do segmento bancário avaliam que a ausência de um horizonte fiscal palpável pode aprisionar o país em um ciclo prolongado de baixo dinamismo econômico, pressões inflacionárias persistentes e escassez de recursos públicos para investimentos e programas sociais nos próximos anos.

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