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Mauro Mendes, Filho e Mineradoras São Denunciados Pelo MPF por Contrabando Internacional de Mercúrio

Acusação aponta compra clandestina de 580 kg do metal sem aval do Ibama para garimpos em MT; produto vinha da China, México e Bolívia disfarçado em potes de shampoo, tintas e martelos ocos.

VT

Por Da Redação

27/10/2026 às 17:33

Mauro Mendes, Filho e Mineradoras São Denunciados Pelo MPF por Contrabando Internacional de Mercúrio
Foto: Mauro Mendes e o filho empresário Luis Antônio Taveira Mendes — Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia criminal contra o senador eleito e ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União), o filho dele, Luis Antônio Taveira Mendes, e o empresário Rafael Martins Moreira dos Santos por envolvimento em um esquema de contrabando internacional e comércio ilegal de mercúrio metálico. O produto químico destinava-se ao abastecimento de garimpos de extração de ouro no estado.

A peça acusatória aponta que o grupo articulava rotas terrestres clandestinas com ingresso pela fronteira da Bolívia, além de tentativas de importação ilegal da substância a partir da China e do México. Para burlar a fiscalização alfandegária e os controles ambientais, o metal pesado era camuflado no interior de baldes de tinta e potes de cosméticos e shampoo, além de ser despachado por serviço postal aéreo oculto em fundos falsos de veículos, anilhas de academia, garrafas plásticas e até martelos com cabeçotes ocos.

Conforme as investigações, as empresas Mineração Aricá Ltda. e Kin Mineração Ltda. figuravam na cadeia ilícita como adquirentes e consumidoras finais do insumo sem dispor de autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama):

“[...] Ao menos entre os anos de 2022 e 2023, os denunciados Mineração Aricá Ltda., Luis Antônio Taveira Mendes, Mauro Mendes Ferreira, Kin Mineração Ltda. e Rafael Martins Moreira dos Santos, de maneira consciente, adquiriram ao menos 580,37 kg de mercúrio, sem as autorizações necessárias do Ibama, o que tornou a mercadoria ilícita e tipificou o delito de contrabando.”

— Ministério Público Federal (MPF), em trecho da denúncia.

Citações em Conversas e 'Garimpo do Mauro Mendes'

Embora o ex-governador não figure formalmente no contrato social como sócio ou administrador direto da Mineração Aricá nem da Kin Mineração, os procuradores reuniram indícios e diálogos interceptados que o ligam às operações.

Em registro de 13 de junho de 2022, o fornecedor investigado Arnoldo Silva Veggi detalhou a Alberto Veggi Atala a emissão de nota fiscal fraudulenta descrita com a mercadoria dissimulada de "bola de ferro/moinho" para encobrir o transporte da carga química com destino à Aricá. No mesmo diálogo, o local de entrega foi categorizado explicitamente como o “Garimpo do Mauro Mendes”.

Registros societários históricos apontam que Mauro Mendes integrou o quadro de sócios da Maney Participações Ltda. a partir de agosto de 2017, pessoa jurídica que deteve 40% das cotas da Mineração Aricá entre novembro de 2011 e janeiro de 2020. A esposa do senador eleito, Virginia Mendes, também possuiu participação societária na mineradora entre 2019 e 2020.

Origem na Operação Hermes II e Fraude no Ibama

O processo é fruto dos desdobramentos da Operação Hermes II, deflagrada pela Polícia Federal e pelo MPF para desarticular uma ampla rede de comércio clandestino de mercúrio que alimentava frentes de garimpo nos estados de Mato Grosso, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. O núcleo central partiu de uma empresa sediada em Paulínia (SP), habilitada para gerar créditos do metal, mas que inseriu informações ideologicamente falsas nos sistemas informatizados do Ibama.

De acordo com o levantamento pericial da PF, a Mineração Aricá atingiu a marca de mais de 900 mil gramas de ouro refinado sem jamais ter registrado a compra formal e lícita de mercúrio em suas operações industriais.

Ouro apreendido em operação da Polícia Federal de Campinas em Alta Floresta — Foto: Divulgação/Polícia Federal

O Que Diz a Defesa

Em manifestações anteriores perante os tribunais, a defesa de Mauro Mendes rechaçou veementemente qualquer participação em condutas irregulares. O parlamentar ressaltou que se desligou formalmente do quadro societário de empresas ligadas ao grupo há mais de seis anos, antes do período sob investigação, e classificou como juridicamente insustentável tentar imputar-lhe vínculo com base em conversas informais mantidas por terceiros sobre supostas propriedades ou visitas esporádicas.

À época da fase ostensiva, Luis Antônio Mendes sustentou que não exercia gerência direta nas empresas, formalizou renúncia ao cargo de diretor da Kin Mineração e afirmou que a pessoa jurídica por ele representada mantinha participação societária minoritária, sem envolvimento com os fornecedores investigados.

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