Ministros de Lula e do STF Criticam Decisões da PF e de Moraes Sobre Flávio: 'Gasolina na Fogueira'
Integrantes do governo e magistrados da Suprema Corte veem "erro político" na retenção de passaporte logo após a eleição; senador viajou com a família para Miami via Argentina e Equador.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acatar representação da Polícia Federal (PF) para cancelar e exigir a entrega dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL) provocou fortes críticas reservadas entre integrantes do primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e membros da própria Corte Constitucional. Nos bastidores de Brasília, a leitura convergente é a de que a investida policial e jurídica acabou "jogando gasolina em uma fogueira que estava diminuindo de intensidade" logo após a consolidação do resultado das urnas no segundo turno.
Tanto auxiliares graduados do Executivo federal quanto ministros do tribunal sustentam que o momento institucional exigia cautela e que a ordem de retenção não deveria ter sido expedida no calor da apuração de domingo. Na visão desses interlocutores, caso a intenção de Flávio fosse de fato deixar o país, o mais adequado do ponto de vista político e jurídico seria permitir a saída espontânea, o que configuraria perante a opinião pública uma fuga deliberada da Justiça, desmoralizando a oposição.
Com a ordem monocrática expedida por Moraes — magistrado que se consolidou como o principal alvo retórico da militância bolsonarista ao longo da campanha de 2026 —, o efeito prático teria sido inverso: abriu-se margem para que o senador explore a narrativa de que é vítima de "perseguição política" por parte do Judiciário.
Paralelo com Lulinha e 'Erro Político'
Sob condição de reserva, um integrante do STF questionou a oportunidade e a proporcionalidade da medida cautelar, apontando o risco de comparações com outros processos sob relatoria de colegas de tribunal:
"Eu não teria tomado essa decisão. Vão comparar com o caso Lulinha, que saiu do Brasil e está na Espanha. O André Mendonça [relator do inquérito sobre o filho de Lula] não tomou nenhuma medida contra ele, e poderia ter feito algo semelhante."
— Ministro do STF, sob reserva.
No Palácio do Planalto, a irritação de um dos ministros mais próximos a Lula evidenciou o temor de que o ato ofusque a legitimidade da vitória petista e reative tensões com a bancada conservadora no Congresso Nacional, recém-fortalecida no pleito:
"Foi um erro político, o Moraes não poderia ter feito isso neste momento. Se ele fugisse, ia ficar desmoralizado. Agora ele vai vestir o figurino de vítima."
— Ministro do governo Lula.
Rota Pela Argentina e Chegada a Miami
A despeito da ordem judicial e do posterior cancelamento formal de seus documentos pela autoridade policial brasileira, Flávio Bolsonaro de fato deixou a América do Sul acompanhado de sua família com destino final aos Estados Unidos.
Conforme interlocutores próximos e dados confirmados por plataformas de monitoramento de tráfego aéreo, o parlamentar embarcou em um voo privado que decolou da Argentina, realizou uma escala técnica de reabastecimento no Equador e prosseguiu em rota direta rumo ao território norte-americano.
De acordo com o registro do sistema FlightAware, a aeronave decolou às 6h22 (horário de Brasília) e tem pouso programado para o aeroporto executivo de Opa-locka, na região metropolitana de Miami, por volta das 10h40 desta manhã.
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