MP-SP Pede Condenação de Renato Cariani por Tráfico de Drogas e Lavagem de Dinheiro; Pena Pode Chegar a 51 Anos
Promotoria requer cumprimento em regime fechado para o influenciador e outros dois réus por desvio de insumos químicos para o refino de cocaína e crack; defesa afirma que teses são improcedentes.
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio de promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), protocolou o pedido de condenação formal do empresário e influenciador fitness Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro.
Caso o Poder Judiciário acolha integralmente as alegações da acusação, a pena imposta a Cariani pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão em regime inicialmente fechado, além de sanções pecuniárias. O influenciador responde ao processo judicial em liberdade. A condenação também foi solicitada para os corréus Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Por outro lado, o órgão ministerial manifestou-se pela absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira.
O cálculo da pena formulado por especialistas considera o concurso de crimes com a imputação de 59 ocorrências de tráfico de insumos e outras 59 tipificações de lavagem de capitais. De acordo com o advogado criminalista Anderson Almeida, a dosimetria contempla a majoração de dois terços pela continuidade delitiva, em conformidade com a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), observando o teto legal de cumprimento de pena privativa de liberdade fixado em 40 anos pela legislação brasileira.

Desvios na Anidrol e Relação com Policial Civil
Réu no processo desde fevereiro de 2024, Cariani foi um dos principais alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em dezembro de 2023. O inquérito policial apontou que a empresa química Anidrol Produtos para Laboratórios — sediada em Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo, da qual o influenciador era sócio-administrador — emitia faturamento simulado de produtos controlados para multinacionais farmacêuticas, enquanto as substâncias eram desviadas clandestinamente para o refino de toneladas de cocaína e crack:
"Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente, em 26/02/2018, de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA (100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína). [...] Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem ‘arquivados’. E, tal qual explícito de seu aparelho celular, agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de policial civil responsável pela fiscalização e induzindo o arquivamento de expediente investigativo antecedente."
— Gaeco/MP-SP, em trecho das alegações da acusação.
Mensagens telemáticas extraídas do telefone de Cariani anexadas aos autos revelaram proximidade com o policial civil André Dziuba, encarregado da fiscalização de precursores químicos. Conforme os promotores, o empresário recebia alertas prévios sobre diligências, apontava concorrentes do mercado como alvos de inspeção e demonstrava pleno conhecimento sobre o emprego das cargas. Em troca de mensagens datada de 11 de abril de 2019, Cariani explicou ao agente público que determinada substância sob consulta era "utilizada para aumentar o rendimento da cocaína".
Falsa Identidade da AstraZeneca e Posição da Defesa
A investigação teve início em 2019 após a própria farmacêutica AstraZeneca notificar o Ministério Público sobre a emissão de notas fiscais fraudulentas pela Anidrol em 2017 envolvendo matérias-primas que a multinacional jamais adquiriu. Segundo a PF, o réu Fábio Spínola Mota teria criado uma conta de e-mail falsa em nome de um preposto fictício da farmacêutica, efetuado depósitos em dinheiro vivo nas contas da Anidrol e atuado como elo de ligação e negociador direto com facções do narcotráfico.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a defesa técnica de Renato Cariani, patrocinada pelo advogado Aldo Romani Netto, afirmou receber a manifestação do MP-SP com naturalidade:
"Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes. Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani."
— Aldo Romani Netto, advogado de Renato Cariani.
Com 50 anos, Renato Cariani reúne mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de inscritos no YouTube, figurando como um dos produtores de conteúdo mais populares do cenário fitness e do fisiculturismo no país. O processo encontra-se em fase conclusiva para a apresentação das alegações finais das defesas antes da prolação da sentença pelo juízo de primeira instância.
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