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PF Cancela Passaportes de Flávio Bolsonaro, Notifica Moraes e Apura Suposta Fuga Rumo aos EUA Pela Argentina

Senador do PL não entregou documentos no prazo de 24 horas fixado pelo STF; polícia brasileira busca dados com autoridades argentinas após relato de tentativa de embarque em jato particular em Puerto Iguazú.

VT

Por Da Redação

27/10/2026 às 13:41

PF Cancela Passaportes de Flávio Bolsonaro, Notifica Moraes e Apura Suposta Fuga Rumo aos EUA Pela Argentina
Foto: O senador Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: Miguel Schincariol/AFP

A Polícia Federal (PF) formalizou o cancelamento dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e prepara um comunicado oficial para informar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o descumprimento da ordem judicial que exigia a entrega de seus documentos até a manhã desta terça-feira (27). Diante da não apresentação dos passaportes no prazo legal de 24 horas, a corporação instaurou diligências para apurar se o candidato derrotado no segundo turno presidencial deixou o território brasileiro com destino aos Estados Unidos.

Até o momento, a corporação federal informou não ter identificado registros regulares de saída do parlamentar pelos postos formais de controle migratório nos aeroportos e fronteiras secas do país.

A decisão de apreensão dos documentos e proibição de viagens internacionais foi proferida por Moraes no âmbito dos inquéritos que tramitam na Corte contra o parlamentar. Além do confisco documental, o magistrado proibiu categoricamente Flávio de manter qualquer forma de contato com o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do senador e coinvestigado em esquema de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas — Tomaz reside fora do Brasil desde agosto deste ano. Flávio também é investigado em outra frente que apura a origem dos recursos empregados no financiamento do filme Dark Horse, obra biográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Intimação nas Ruas e Apelo Público de Eduardo

Flávio Bolsonaro foi intimado pessoalmente por agentes federais na manhã de segunda-feira (26) ao sair de sua residência, localizada em um condomínio fechado no Lago Sul, em Brasília. Em gravação em vídeo veiculada em seus perfis digitais, o senador criticou a ação ostensiva das forças de segurança:

"Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição."

— Flávio Bolsonaro, em vídeo nas redes sociais.

A menção faz referência direta a uma entrevista concedida na última sexta-feira (23) pelo ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a uma emissora dos Estados Unidos, onde reside. Na ocasião, antes da contagem dos votos do segundo turno, Eduardo declarou expressamente: "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza", acrescentando que o irmão deveria contestar a vitória petista nas urnas.

A Rota de Puerto Iguazú e o Jato Retido

A hipótese de saída clandestina ganhou repercussão internacional a partir de reportagem divulgada na madrugada pelo portal argentino Infobae. Segundo a publicação, o senador teria cruzado a fronteira terrestre brasileira em direção a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, valendo-se de seu documento de identidade nacional (RG). De lá, embarcaria em um voo privado fretado rumo a Miami às 2h da manhã desta terça.

A aeronave em questão — um bimotor executivo Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW, de propriedade da companhia Baires Fly SA — decolou de Buenos Aires às 22h20 de segunda-feira e aterrissou em Puerto Iguazú. O plano de fretamento requisitou liberação alfandegária para três tripulantes argentinos e quatro passageiros. No entanto, a decolagem para os Estados Unidos foi abortada na pista.

De acordo com apurações dos jornais argentinos Clarín e La Nación, a partida foi cancelada sob a justificativa preliminar de que "um dos passageiros teve um problema" e não compareceu para o embarque, sem que a lista nominativa final tivesse sido transmitida à alfândega. Paralelamente, o portal Misiones Online noticiou que inspetores da Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) da Argentina travaram discussões acaloradas com o piloto e negaram a autorização técnica de voo até a comprovação integral dos requisitos internacionais. O jato permanece retido pelas autoridades locais.

Casa Rosada Nega Entrada e Comboio Deixa Brasília

Em nota oficial conjunta encaminhada no fim da manhã, a Direção Nacional de Imigração e a Casa Rosada (sede do governo argentino) asseguraram não ter registrado formalmente a entrada de Flávio Bolsonaro no país. O informe pontuou que, diante das notícias, foi feita fiscalização na aeronave da Baires Fly e concluiu-se que "a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro".

Em Brasília, a movimentação ao redor da residência do senador segue intensa. Vizinhos relataram que um comboio de automóveis deixou a casa de Flávio no Lago Sul por volta das 20h de segunda-feira, sem que fosse possível visualizar os passageiros a bordo. Procurada no local na manhã desta terça-feira, a portaria do condomínio confirmou a presença de pessoas no imóvel e interfonou para a residência, mas informou que não possuía autorização para esclarecer se o parlamentar estava pessoalmente no domicílio.

Flávio Bolsonaro não publica mensagens em suas redes sociais desde a noite de ontem, e a Polícia Federal segue em contato com a adidância argentina para averiguar se houve transposição irregular de fronteira.

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