PF investiga venda ilegal de madeira em terra indígena de MT com desmatamento equivalente a 4,5 mil campos de futebol
Ação mira esquema clandestino na Terra Indígena Enawene Nawe; alvo em Nova Olímpia foi flagrado negociando cargas em chamadas de vídeo, aponta Polícia Federal.
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) a Operação Hybris, com o objetivo de desarticular um esquema de extração irregular e comercialização clandestina de recursos florestais retirados do interior da Terra Indígena Enawene Nawe, localizada em Mato Grosso. As equipes cumpriram ordens judiciais de busca e apreensão em Nova Olímpia, a 207 km de Cuiabá, tendo como alvo um endereço vinculado a um dos investigados apontado como articulador do comércio ilegal de madeira.
Durante a diligência no imóvel, os policiais federais apreenderam registros financeiros, documentos contábeis e diversos aparelhos eletrônicos. O material recolhido será submetido à perícia técnica para rastrear a cadeia de compradores, operadores logísticos e eventuais intermediários financeiros envolvidos na receptação e na lavagem dos lucros obtidos com o desmatamento predatório em solo protegido.
As investigações apontam que a madeira era retirada do território tradicional sem qualquer autorização dos órgãos fiscalizadores ambientais. No decorrer das apurações, os agentes localizaram arquivos audiovisuais em que o principal suspeito aparece negociando lotes de madeira nativa diretamente por meio de chamadas de vídeo, expondo a dinâmica das transações comerciais clandestinas.
Território sob pressão histórica de desmatamento
A área protegida dos Enawene Nawe figura há anos no centro de alertas emitidos por institutos de monitoramento satelital e organizações da sociedade civil voltadas à preservação da Amazônia Legal:
Risco crítico de desmatamento: Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou que, já em 2022, o território estava entre as dez terras indígenas mais ameaçadas pelo avanço da degradação ambiental no país;
Extensão devastada: Dados do Instituto Socioambiental (ISA) revelam que, até o encerramento de 2024, a área desmatada acumulada no interior da reserva atingiu 3.247 hectares — extensão proporcional a cerca de 4,5 mil campos de futebol oficiais;
Frentes de invasão: A retirada sistemática de espécies nobres de madeira desestabiliza ecossistemas fluviais e compromete a subsistência do povo Enawene Nawe.
O inquérito da Polícia Federal segue em andamento para calcular a extensão exata dos danos ecológicos provocados pelas invasões, identificar serrarias receptoras e viabilizar o bloqueio de bens dos responsáveis pela exploração ilegal do patrimônio público e indígena da União.
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