Três Advogados São Alvos da Polícia Civil por Falsificar Decisão Judicial para Transferir Chefe de Facção para MT
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Cuiabá após servidores flagrarem fraude em despacho que tentava antecipar volta de líder criminoso de Catanduvas (PR) para a PCE.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), a Operação Reescrita para desarticular um esquema criminoso envolvendo três advogados suspeitos de falsificar uma decisão judicial. O objetivo da manobra ilícita era viabilizar a transferência antecipada de um detento apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças de uma facção criminosa em atividade no estado.
Durante a ação policial, os investigadores cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados na capital mato-grossense. As identidades formais dos alvos não foram divulgadas pela autoridade policial em virtude do sigilo das apurações.
Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou que acompanhou os procedimentos operacionais para assegurar o respeito às prerrogativas funcionais da classe. O órgão de classe pontuou ainda que o episódio será remetido ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para apuração de eventuais faltas éticas e adoção de medidas administrativas cabíveis.
Fraude Flagrada por Servidores e Tentativa de Remoção da PCE
A investigação teve início imediato após servidores do sistema de justiça e segurança identificarem inconsistências e anomalias formais no documento apresentado pela defesa do recluso.
A peça judicial fraudulenta autorizava supostos estudos específicos de comportamento carcerário para fundamentar a remoção do criminoso da Penitenciária Federal de Catanduvas, localizada no Paraná — unidade prisional de segurança máxima da União —, de volta para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
A tentativa de retorno à malha penitenciária estadual ocorria antes do término do prazo legal de permanência fixado na decisão judicial original e legítima, manobra jurídica que visava retirar o chefe criminoso do rigor do Sistema Penitenciário Federal. O material recolhido durante as buscas passará por perícia técnica para aprofundar as apurações sobre a autoria e os meios eletrônicos empregados na contrafação do ato judicial.
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