Um esquema milionário envolvendo a falsificação de laudos oficiais abalou a credibilidade da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) de Mato Grosso. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPMT), uma servidora pública e um ex-perito criminal são acusados de cobrar propina de R$ 2 milhões para fraudar um laudo pericial em favor de uma empresa investigada.
A investigação revela que o ex-perito Nivaldo Oliveira da Silva teria atuado em conluio com a servidora Francisca das Chagas da Silva, lotada na Coordenadoria de Criminalística da Politec. Eles teriam prometido manipular um laudo oficial, com o objetivo de beneficiar uma empresa que estava sob investigação por supostas irregularidades em licitações.
Segundo o Ministério Público, a dupla exigiu a quantia milionária para alterar as conclusões técnicas de um laudo pericial que analisava assinaturas e documentos. A fraude visava isentar a empresa de possíveis sanções legais, distorcendo a realidade dos fatos para livrar os investigados.
A denúncia foi protocolada pela 7ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, especializada no combate à corrupção. Além da acusação por corrupção passiva e falsidade ideológica, o MP pediu o afastamento cautelar da servidora de suas funções, para garantir a integridade do processo e evitar interferências nas investigações.
O ex-perito, que já havia se desligado da Politec, pode enfrentar ainda outras sanções judiciais e administrativas, caso fique comprovado que usou indevidamente seu antigo cargo para facilitar a suposta fraude.
Em nota oficial, a Politec de Mato Grosso repudiou os atos atribuídos aos envolvidos e afirmou que colabora integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração. A instituição ressaltou seu compromisso com a ética e a transparência na produção de provas periciais.
A denúncia lança luz sobre a necessidade urgente de fortalecer os mecanismos de controle interno e de garantir a imparcialidade nas análises técnicas, que são decisivas em processos judiciais e administrativos.
Casos como este não apenas abalam a confiança da população nos órgãos públicos, mas também colocam em xeque a segurança jurídica de processos que dependem de laudos oficiais. O episódio acende o alerta sobre a vulnerabilidade de sistemas que deveriam ser à prova de manipulação e corrupção.
A sociedade espera que os responsáveis sejam punidos de forma exemplar e que medidas concretas sejam adotadas para evitar que casos semelhantes voltem a acontecer.




