Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, é apontado como intermediário financeiro e operador de dinheiro vivo no esquema de Daniel Vorcaro; colaboração depende de homologação de André Mendonça.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proposta de acordo de colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e Participações (do grupo Entrepay). Conforme as investigações da Polícia Federal (PF), a empresa atuava como canal intermediário para a triangulação de recursos financeiros destinados à produção do longa-metragem cinematográfico “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além da intermediação das verbas cinematográficas, os investigadores apontam que Freixo Júnior exercia a função estratégica de captação e viabilização de pagamentos em dinheiro vivo para operações do esquema capitaneado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Tramitação Conjunta e Homologação no STF
O termo de delação premiada de “Mineiro” avança de forma casada com outro acordo de alto escalão do setor financeiro no gabinete do relator das apurações:
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Assinatura Simultânea: A colaboração foi formalizada na mesma data em que a PGR fechou o termo de delação com João Carlos Mansur, controlador da gestora de recursos Reag.
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Gabinete de André Mendonça: Os dois acordos já foram protocolados e aguardam a decisão de homologação do ministro relator, que analisará a legalidade, a voluntariedade e a consistência das provas documentais anexadas pelas defesas. A legislação processual não estipula prazo-limite para a manifestação monocrática.
Triangulação Financeira e Alvos da Compliance Zero
Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que a Entre Investimentos recebeu expressivos R$ 159,2 milhões de fundos de investimento diretamente vinculados às fraudes contábeis do Banco Master:
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Repasses da Sefer Investimentos: A maior fatia, de R$ 139,2 milhões, partiu da Sefer, gestora que foi alvo da 2ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
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Fundo Gold Style (Reag): Outros R$ 20 milhões ingressaram por meio do fundo Gold Style, administrado pela Reag. Conforme os relatórios da PF, este fundo movimentou quase R$ 1 bilhão com empresas investigadas por suposta lavagem de capitais vinculada a facções criminosas no mercado financeiro.
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Liquidação pelo Banco Central: O grupo Entrepay teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil em março de 2026, diante da deterioração econômico-financeira, desrespeito às normas regulatórias e geração de risco incomum aos credores.
Cobrança Política e Novos Aportes em Dólar
O acordo geral de patrocínio previa inicialmente o valor de R$ 124 milhões, tendo o ex-controlador do Master transferido efetivamente cerca de R$ 61 milhões à produção:
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Aporte Adicional: Documentos anexados aos inquéritos revelam que Vorcaro autorizou uma remessa complementar de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025. O pagamento ocorreu dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual candidato à Presidência, cobrar a regularização de parcelas em atraso.
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Remessas Anteriores: Esse montante soma-se a outros seis pagamentos internacionais prévios efetuados até maio de 2025 (dois aportes de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão).
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Rota Internacional: As transferências partiam do Brasil com destino ao Havengate Development Fund, estrutura sediada no estado do Texas (EUA), responsável por canalizar os valores à produtora Go Up Entertainment. O fundo norte-americano contava entre seus gestores com o advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O portal VTnews segue acompanhando a análise dos acordos de colaboração premiada no STF, os desdobramentos da Operação Compliance Zero e as investigações sobre o caso Master.




