Queda Geral Contrasta com Recorde de Crimes Contra a Mulher
O Brasil registrou em 2025 o menor patamar de mortes violentas em mais de uma década. Foram 40.775 vítimas ao longo do ano, o que representa uma redução de 8% em comparação com os 44.126 casos contabilizados em 2024. Os dados oficiais constam no Anuário da Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Apesar da forte tendência nacional de queda na letalidade, os crimes letais cometidos contra mulheres por questões de gênero foram na contramão. O país contabilizou 1.571 feminicídios em 2025, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, que teve 1.504 ocorrências. Esse número representa uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia e configura o maior registro desde que o crime foi tipificado no Código Penal, em 2015.
Análise dos Especialistas em Segurança
Para Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o aumento não se deve apenas a uma melhora nos registros policiais, mas indica um crescimento real e contínuo da violência contra a mulher. Ela destaca que a dificuldade em interromper trajetórias de violência aponta para limites na capacidade do próprio Estado de prevenir, proteger e oferecer respostas antes que os casos terminem em mortes.
Por outro lado, David Marques, gerente de programas do Fórum, avalia que a redução geral de mortes violentas consolida uma tendência ininterrupta de queda iniciada em 2018 e deve ser comemorada como um avanço na segurança pública. No entanto, ele ressalta que as mortes decorrentes de intervenção policial e os feminicídios seguem como grandes desafios.
Principais Conclusões do Anuário de 2025
O levantamento trouxe outros dados e recortes geográficos importantes sobre o cenário da criminalidade no país:
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A taxa nacional de mortes violentas intencionais caiu para 19,1 por 100 mil habitantes, a menor marca já registrada no histórico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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Houve aumento em diversos indicadores de violência não letal contra a mulher, incluindo stalking (+30%), violência psicológica (+17%) e descumprimento de medidas protetivas (+17%).
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Foram contabilizadas três tentativas de feminicídio para cada crime de fato consumado no país.
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Santa Catarina alcançou a menor taxa de mortes violentas do Brasil, com 7,6 por 100 mil habitantes, desbancando São Paulo, que ocupava o posto desde 2014.
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As dez cidades mais violentas do Brasil estão localizadas no Nordeste, sendo que Maranguape (CE) lidera o ranking pelo segundo ano seguido e foi a única a superar a marca de 100 mortes por 100 mil habitantes.
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As mortes cometidas por intervenção policial subiram 5%, enquanto o número de policiais mortos teve uma queda de 3%.
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A população do sistema prisional subiu 6%, atingindo a marca de 964 mil detentos.
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Os casos registrados de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60% entre os jovens.
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Os registros associados à produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil sofreram alta de 25%.




