Crime ocorreu dentro de centro de reabilitação em Cuiabá; cuidador alegou ter agido em legítima defesa após surto da vítima.
O cuidador plantonista que estava de serviço no centro de reabilitação em Cuiabá confessou à Polícia Civil ser o autor do homicídio de um paciente de 38 anos, diagnosticado com esquizofrenia. O crime, ocorrido na noite de segunda-feira (1º), ganhou contornos ainda mais graves após a investigação constatar que o profissional estava sozinho e sobrecarregado, sendo o único responsável pela vigilância de mais de 40 pacientes internados na unidade de saúde.
Em seu depoimento aos agentes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o funcionário alegou que agiu em legítima defesa. De acordo com a versão do suspeito, o interno teria sofrido um surto psicótico violento durante a noite e tentado atacá-lo. Na tentativa de conter a agressão e imobilizar o paciente, o plantonista acabou aplicando um golpe físico que sufocou a vítima, levando-a ao óbito por asfixia antes da chegada do socorro médico.
A tragédia expõe a precariedade do monitoramento e a falta de estrutura técnica na clínica de recuperação. Testemunhas e familiares relataram que a proporção de apenas um cuidador para dezenas de pacientes com transtornos psíquicos severos e dependência química tornava o ambiente inseguro e propenso a tragédias, violando as normas básicas de assistência e saúde mental.
O plantonista foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio. A Polícia Civil e a DHPP continuam ouvindo os diretores e proprietários do estabelecimento para apurar o grau de negligência administrativa e a responsabilidade da clínica na contratação e escala de funcionários. Os laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) devem ficar prontos nos próximos dias, confirmando a causa exata da morte e confrontando a versão apresentada pelo cuidador.




