Decisão acata pedido do Ministério Público de SP baseado na Operação Vérnix; promotoria estima esquema bilionário de blindagem de ativos.
A Justiça de São Paulo aceitou formalmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual (MP-SP) contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, o líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, e mais quatro pessoas. Com a decisão, publicada nesta quinta-feira (18), todos os envolvidos passam à condição de réus em um processo penal que investiga os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.
A acusação foi formulada por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da “Operação Vérnix”. De acordo com a força-tarefa coordenada pelo promotor Lincoln Gakiya, o grupo utilizava uma empresa de transportes de fachada estabelecida em Presidente Venceslau, no interior paulista, para introduzir recursos oriundos de atividades ilícitas da facção criminosa de volta ao mercado econômico formal.
As apurações apontam que Deolane Bezerra teria atuado como receptora de vultosas quantias em dinheiro enviadas de forma fracionada — técnica financeira ilegal conhecida no jargão policial como smurfing —, com o intuito de despistar os mecanismos de controle financeiro do Coaf e pulverizar a origem ilícita dos valores. A denúncia sustenta ainda que a influenciadora registrou imóveis em nome próprio e de familiares utilizando o capital escuso, e planejava transferir o patrimônio de suas empresas para fundos no exterior como etapa final do processo de lavagem de dinheiro.
Além de Deolane e Marcola, figuram como réus na mesma ação criminal Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola e apontado como colíder do esquema), Everton de Sousa (operador financeiro intermediário da transportadora), além de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, filhos de Alejandro que atualmente são considerados foragidos internacionais pelas autoridades.
Deolane Bezerra encontra-se detida preventivamente desde o dia 21 de maio e teve um pedido de habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta semana, permanecendo recolhida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. O Ministério Público solicitou, além das condenações criminais, o confisco de até R$ 65 milhões em bens incompatíveis com a renda declarada dos réus, mais o pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais difusos. As defesas técnicas dos acusados negam veementemente as acusações e afirmam que provarão a inocência de seus clientes ao longo da instrução processual.




