Modal ferroviário não compete com o rodoviário e garante ganhos para os caminhoneiros, aponta Francisco Vuolo
Redução de longas viagens até os portos do Litoral aumenta a qualidade de vida dos motoristas e eleva a rotatividade do transporte de curta e média distância no interior de Mato Grosso.
A tese de que a expansão das ferrovias provoca o desemprego ou a falência dos transportadores rodoviários de carga foi categoricamente rebatida pelo presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo. Durante entrevista ao Podcast VT Business, o especialista explicou que os modais ferroviário e rodoviário são complementares e ressaltou que a presença dos trilhos aumenta a demanda por fretes de curta distância, preservando veículos e garantindo qualidade de vida aos caminhoneiros.
A expansão da malha ferroviária em Mato Grosso não representa uma ameaça ao trabalho dos caminhoneiros, mas sim uma oportunidade de reorganização e eficiência logística. A avaliação foi detalhada por Francisco Vuolo em conversa com o apresentador Denival Bitencourt no VT Business. De acordo com o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, a integração entre os modais permite que o transporte rodoviário foque em trajetos de curta e média distância, otimizando o faturamento dos motoristas e reduzindo os custos de manutenção dos caminhões.
O modelo logístico em que um caminhão percorre mais de 2.000 quilômetros — saindo do Norte de Mato Grosso rumo aos portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR) — é apontado por especialistas internacionais como uma distorção econômica e social. Em países com infraestrutura madura, como os Estados Unidos e os integrantes da União Europeia, o transporte rodoviário atua predominantemente em raios de 200 a 400 quilômetros, conectando o local de produção aos terminais ferroviários ou hidroviários.
“O trem não entra na fazenda para buscar o grão e não entrega a mercadoria na porta da indústria. Quem faz esse papel insubstituível é o caminhão”, explicou Vuolo. Segundo ele, o volume de caminhões e a frota em circulação dentro de Mato Grosso aumentaram de forma expressiva desde a consolidação do terminal ferroviário de Rondonópolis, que recebe diariamente cerca de 1.000 caminhões em sua área de triagem.
A mudança de paradigma traz benefícios diretos para a rotina e a saúde financeira do motorista. Em vez de passar semanas longe da família enfrentando estradas de longa distância, o caminhoneiro passa a realizar múltiplas viagens diárias ou semanais entre as fazendas e os terminais mais próximos (como Dom Aquino ou Rondonópolis).
Essa dinâmica reduz drasticamente o desgaste dos pneus, freios e componentes mecânicos dos veículos, além de diminuir o risco de acidentes nas rodovias federais. Com menor custo operacional e maior frequência de viagens, o faturamento líquido do profissional se mantém equivalente ou superior ao de viagens longas, porém com ganhos significativos em qualidade de vida.
“Ferrovia e rodovia se complementam; um modal não concorre com o outro. O caminhoneiro ganha em qualidade de vida ao fazer curtas distâncias mais vezes, mantendo seu faturamento sem o desgaste de cruzar o país até os portos.” — Francisco Vuolo
A harmonização entre o setor rodoviário e o ferroviário é fundamental para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos do agronegócio mato-grossense. A transição do frete de longa distância para o frete de transbordo regional alivia a pressão sobre a malha viária estadual (como a BR-163), reduzindo os custos de manutenção arcados pelo setor público e concessionárias. Ao mesmo tempo, valoriza a categoria dos caminhoneiros, transformando-os em elos estratégicos da distribuição regional de cargas.
Entenda como a integração logística entre trens e caminhões está redefinindo o transporte de cargas no Brasil Central. Assista ao bate-papo completo de Francisco Vuolo no Podcast VT Business, disponível no canal da VT NEWS no YouTube.




