A nova política tarifária do presidente Donald Trump sinaliza uma mudança profunda na geoeconomia global, elevando o protagonismo dos Estados Unidos e minando o sistema multilateral de comércio.
Tarifaço como nova estratégia de poder
Trump aprimorou seu arsenal protecionista com um regime de tarifas recíprocas, em vigor desde abril de 2025, que impõe impostos variáveis — de 10% a até 50% — com base nos déficits comerciais dos países-alvo. Essa estratégia marca o início de uma nova ordem econômica global, substituindo, progressivamente, as armas econômicas por negociações multilaterais.
Embora pareça extremada, essa tática não derrubou a economia americana. Ao contrário, ocorreu um efeito de resiliência econômica interna, com mercados globais absorvendo o impacto, ao menos num primeiro momento.
Efeito dominó contra o sistema internacional
A escalada de tarifas converte práticas comerciais em ferramentas de punição, deslegitimando normas da OMC e empurrando parceiros tradicionais para formar blocos regionais — como os BRICS. Essa fragmentação econômica ameaça desestabilizar as cadeias de suprimentos e acentua a volatilidade política e financeira mundial.
Repercussão no Brasil
A retaliação tarifária dos EUA impactou fortemente o agronegócio e cadeias industriais no Brasil. Em resposta, o país ativou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e promulgou a “Lei de Reciprocidade Comercial”, autorizando imposições retaliatórias.
Em convergência com o Brasil
Diante dessa maré protecionista, o Brasil intensificou esforços diplomáticos, reforçando parcerias estratégicas com países como China, Rússia e Índia. A agenda brasileira busca mitigar danos comerciais, reforçar autonomia e pressionar por reformas na governança global




