Investigação aponta que a profissional utilizava as prerrogativas da função para burlar a segurança e abastecer detentos em unidade prisional.
Uma advogada foi o principal alvo de uma operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) em Mato Grosso, sob a suspeita de facilitar a entrada de materiais ilícitos em uma unidade prisional do estado. De acordo com as investigações, a profissional se valia de suas prerrogativas legais de atendimento jurídico para entregar porções de drogas, aparelhos celulares e carregadores diretamente a detentos que cumprem pena no sistema penitenciário.
A ação foi coordenada pela Polícia Civil, com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para garantir o cumprimento dos mandados judiciais de busca e apreensão em endereços ligados à investigada. O esquema começou a ser monitorado após agentes penitenciários interceptarem objetos proibidos com os presos logo após as sessões de atendimento com a defensora na sala reservada para os advogados (parlatório).
A linha de investigação aponta que a advogada cobrava valores expressivos para atuar como uma espécie de “linha de suprimentos” para lideranças de organizações criminosas detidas. Ao se aproveitar da dispensa de revistas íntimas rigorosas concedida à categoria no exercício da profissão, ela ocultava os eletrônicos e os entorpecentes em suas vestes e pastas de documentos para entregá-los aos clientes durante as consultas jurídicas.
Diante das evidências colhidas, o Poder Judiciário determinou o afastamento cautelar da profissional de suas atividades advocatícias, além da quebra de sigilo de seus dispositivos eletrônicos. A OAB instaurou um procedimento ético-disciplinar interno que pode culminar na cassação definitiva de seu registro profissional, enquanto ela responderá criminalmente pelos delitos de tráfico de drogas majorado e favorecimento real.




