Estudo realizado em importantes bacias hidrográficas do estado detetou resíduos de pesticidas e fármacos; especialistas pedem atenção ao tratamento
Um estudo científico conduzido por pesquisadores em Mato Grosso identificou a presença de 14 diferentes tipos de poluentes nas águas de importantes rios do estado. A descoberta acendeu um sinal de alerta entre especialistas em recursos hídricos e saúde pública, que apontam para uma degradação silenciosa da qualidade da água que abastece diversas comunidades e sustenta ecossistemas locais.
Entre as substâncias encontradas, destacam-se resíduos de pesticidas utilizados na agricultura, além de compostos provenientes de fármacos e produtos de higiene pessoal que não são totalmente eliminados pelos sistemas de tratamento de esgoto convencionais. A pesquisa realizou colheitas em pontos estratégicos de bacias que banham o estado, revelando que a concentração de determinados contaminantes, embora muitas vezes dentro dos limites legais para substâncias isoladas, pode representar riscos quando analisada de forma cumulativa.
Os investigadores ressaltam que a presença desses poluentes pode causar o que chamam de “desregulação endócrina” na fauna aquática, afetando a reprodução de peixes e a biodiversidade. Para os seres humanos, o consumo prolongado de água com esses vestígios, mesmo em doses baixas, é alvo de preocupação devido à falta de estudos sobre os efeitos a longo prazo da mistura de diferentes resíduos químicos no organismo.
O relatório final da pesquisa sugere a necessidade urgente de investimentos em tecnologias de monitoramento mais avançadas e na modernização das estações de tratamento de água e esgoto em Mato Grosso. Além disso, os especialistas defendem uma fiscalização mais rigorosa sobre o descarte de resíduos industriais e agrícolas, reforçando que a preservação dos rios é fundamental não apenas para o meio ambiente, mas para a segurança hídrica e económica do estado.




