Candidata a vice-governadora cita comportamento de prefeitos liberais que migraram para o palanque governista e aposta na atração do voto conservador raiz contra candidaturas de conveniência.
A candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Gisela Simona (União Brasil), afirmou em entrevista ao programa Conexão Poder que a coligação governista pretende atrair expressiva parcela do eleitorado de direita e bolsonarista em Mato Grosso. Para ela, muitos eleitores conservadores rejeitam nomes do Partido Liberal (PL) no Estado por identificarem práticas de postulantes oportunistas, conhecidos no meio político pela expressão “candidato melancia” (verde por fora e vermelho por dentro).
Segundo Gisela, o eleitorado mais atento passou a diferenciar quem compartilha genuinamente as pautas do campo conservador daqueles que apenas se associaram à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro com objetivos eleitoreiros:
“Ao longo do tempo se verificou muita gente que usou na verdade do Bolsonaro, da figura do Bolsonaro para dizer que era bolsonarista e ganhar a eleição, mas na hora de ver os votos, na hora de ver as ações se percebeu que nem todo mundo era tão bolsonarista assim, não era tão direita ou extrema direita. Então, em Mato Grosso acho que algumas figuras têm essa característica.” — Gisela Simona, candidata a vice-governadora.
Migração de Prefeitos do PL e o Voto Ideológico
A candidata a vice ressaltou que o movimento já observado no interior de Mato Grosso — onde prefeitos e lideranças filiadas ao próprio PL vêm declarando apoio à reeleição de Pivetta em detrimento da candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) — reflete um descontentamento mais amplo da base eleitoral.
Na visão de Gisela, o chamado eleitor “bolsonarista raiz” analisa os valores pessoais e o histórico de cada postulante, e não apenas o número da legenda na urna eletrônica:
“Aqueles que são raiz não se identificam e acabam não vendo em alguns que hoje têm o número do PL como algo que já automaticamente identifique [o candidato], então se verifica muito nas pessoas aquilo que ela traz, porque o bolsonarismo prega alguns valores que alguns não têm. Então, na prática, acredito que isso vá fazer a diferença.”
A disputa pelo eleitorado conservador em Mato Grosso segue como um dos principais eixos de embate entre o palanque de Otaviano Pivetta e a postulação de Wellington Fagundes na corrida ao Palácio Paiaguás.
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