Integração entre Ferrovia Senador Vuolo, FICO e Ferrogrão projeta Lucas do Rio Verde como o maior hub logístico do Centro-Oeste e abre caminhos para o Porto de Chancay, no Peru.
O futuro da logística e da competitividade do agronegócio de Mato Grosso depende diretamente da superação de entraves jurídicos e da consolidação de grandes eixos ferroviários interligados. Durante entrevista concedida ao Denival Bitencourt no programa VT Business, do portal VTnews, o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, apresentou uma análise sobre o entroncamento ferroviário planejado para o município de Lucas do Rio Verde e defendeu a estruturação de uma rota bioceânica voltada ao mercado asiático.
Embora o Brasil opere com uma malha ferroviária ativa entre 10 mil e 12 mil quilômetros — extensão tímida diante das dimensões continentais do país —, o território mato-grossense está no epicentro dos principais investimentos do setor para a próxima década.
O Mega Hub Ferroviário em Lucas do Rio Verde
O planejamento de infraestrutura projeta o Médio-Norte de Mato Grosso como o principal ponto de transbordo e redistribuição de cargas do Centro-Oeste a partir da convergência de três grandes traçados:
-
Eixo Sul (Ferrovia Senador Vuolo): Conecta Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Cuiabá e Dom Aquino ao terminal rodoferroviário de Rondonópolis, garantindo acesso direto aos terminais do Porto de Santos (SP).
-
Eixo Leste (FICO – Ferrovia de Integração Centro-Oeste): Liga Mara Rosa (GO), Cocalinho e Água Boa a Lucas do Rio Verde, permitindo a conexão com a Ferrovia Norte-Sul e o escoamento direcionado aos portos de Itaqui (MA) e Ilhéus (BA).
-
Eixo Norte (Ferrogrão / EF-170): Traçado projetado com mais de 900 km para ligar Sinop e Lucas do Rio Verde a Miritituba (PA), viabilizando o transbordo na hidrovia do Rio Tapajós e a saída pelo Arco Norte.
Ao avaliar a Ferrogrão, Vuolo pontuou que o projeto atrai investidores globais, mas segue condicionado a discussões técnicas e ambientais no Supremo Tribunal Federal (STF):
“O processo burocrático no Governo Federal caminha a passos lentos. A vantagem da nossa ferrovia estadual foi ter a agilidade de licenciamento pela SEMA, o que garantiu a execução do projeto.”
— Francisco Vuolo, presidente do Fórum Pró-Ferrovia.
Saída Bioceânica e Conexão com o Megaporto de Chancay
Além das alternativas pelos portos do Sul, Norte e Nordeste, o avanço da integração sul-americana por meio de um corredor bioceânico foi apontado como medida para encurtar rotas globais.
A proposta articula a malha regional do Centro-Oeste à Hidrovia Paraguai-Paraná (via Cáceres) e às ferrovias que cortam o continente até o megaporto de Chancay, no Peru — terminal construído no litoral do Pacífico com aporte de capital internacional. O traçado reduz significativamente o tempo de trânsito marítimo e os custos de frete para a exportação de soja e milho com destino direto aos portos asiáticos.
“A interligação entre a Ferrovia Senador Vuolo, a FICO e a Ferrogrão em Lucas do Rio Verde criará um hub logístico sem precedentes no país. Precisamos destravar a burocracia para transformar essa infraestrutura em realidade.”
Diversificação de Rotas e Competitividade Global
A estruturação de corredores multimodais atende à expansão das safras de grãos de Mato Grosso, que superam dezenas de milhões de toneladas ao ano. A dependência concentrada no corredor rodoviário e ferroviário em direção ao Sudeste gera gargalos operacionais e eleva custos. A abertura simultânea de rotas pelo Arco Norte, pelo Atlântico Leste e pelo Pacífico amplia a segurança logística e fortalece o posicionamento do Estado no comércio exterior.
A entrevista completa com a análise detalhada de Francisco Vuolo sobre os eixos de transporte está disponível no canal do VT Business no YouTube.




