Na tentativa de evitar ressacas, calorias e a ansiedade social, integrantes da Geração Z recorrem a coquetéis de fármacos controlados como pregabalina e betabloqueadores, acendendo alerta médico sobre overdose e dependência severa.
A busca crescente de jovens adultos por alternativas consideradas “mais limpas” ao consumo de bebidas alcoólicas impulsionou um comportamento de alto risco: o uso recreativo de medicamentos de venda controlada em festas e encontros sociais. Impulsionada por influenciadores em redes sociais, parte da chamada “geração sóbria” — termo atribuído à Geração Z pela redução estatística no consumo tradicional de álcool — passou a utilizar coquetéis de ansiolíticos, anticonvulsivantes e betabloqueadores para induzir euforia e desinibição sem os efeitos da ressaca ou o consumo de calorias.
Pesquisadores em dependência química e autoridades de saúde alertam, contudo, que a prática esconde perigos severos, incluindo dependência química rápida, surtos depressivos na abstinência e risco de envenenamento fatal.
O Que É o Fenômeno do Stacking
Em fóruns e plataformas digitais, usuários promovem combinações de substâncias sem indicação médica, prática denominada de stacking:
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Pregabalina: Fármaco indicado originalmente para epilepsia, dor neuropática e transtorno de ansiedade generalizada. Em superdosagens, altera a percepção, gerando efeito de relaxamento e euforia similar ao estado de embriaguez.
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Betabloqueadores (como Propranolol): Medicamentos cardiovasculares utilizados para desacelerar batimentos cardíacos, controlar a pressão arterial e diminuir tremores musculares associados a crises de pânico ou ansiedade de desempenho. O uso inadequado pode provocar bradicardia severa, quedas bruscas de pressão e desmaios.
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Peptídeos Não Regulamentados: Substâncias injetáveis obtidas no mercado clandestino que prometem acelerar respostas hormonais ou modular o humor.
Ansiedade Social, Custo e Mercado Clandestino
O crescimento dessa tendência está atrelado ao salto nos índices de ansiedade social entre jovens de 18 a 24 anos, agravado pelo isolamento imposto em anos anteriores. Estudos acadêmicos apontam que mais de 28% dos jovens britânicos no início dos 20 anos relatam níveis críticos de ansiedade, superando com folga os índices observados na geração anterior.
Outro vetor relevante é o custo financeiro: enquanto coquetéis de bebidas em casas noturnas atingem valores elevados, comprimidos ilegais podem custar centavos por dose. Além disso, a aquisição é impulsionada por redes sociais de comércio paralelo, o que amplia drasticamente o perigo do consumo de substâncias adulteradas ou com dosagens imprevisíveis de fábrica.
O Risco do Ciclo de Dependência
Especialistas em saúde mental enfatizam que recorrer a substâncias farmacológicas como muleta para interações rotineiras corrói a capacidade natural de enfrentamento psicológico. O padrão de consumo tende a migrar dos fins de semana para apresentações acadêmicas, reuniões de trabalho e compromissos cotidianos:
“O uso de medicamentos para evitar sentimentos de ansiedade pode reforçar a crença de que situações sociais comuns são assustadoras. Você perde a confiança na sua própria capacidade de lidar com as coisas de forma eficaz.”
— Professora Emily Jones, psicóloga do King’s College London.
Na Inglaterra e no País de Gales, dados oficiais indicam que a pregabalina esteve associada a 2.360 mortes por envenenamento e intoxicação medicamentosa entre 2020 e 2024, contra 768 no quinquênio anterior. Casos de abstinência abrupta relatam sintomas de depressão aguda, insônia refratária e ideação suicida, reforçando a necessidade urgente de acompanhamento psiquiátrico e psicoterapêutico formal em vez de automedicação.
O portal VTnews reforça que o uso de medicamentos controlados sem prescrição é ilegal e representa grave ameaça à integridade física e mental.




