Publicada na revista científica PNAS, pesquisa com mais de 10 mil participantes em 34 países avaliou seis intervenções; enviar uma mensagem de agradecimento direto teve o maior impacto positivo no bem-estar.
Praticar a gratidão no dia a dia vai além de um gesto de cortesia: a atitude gera impactos mensuráveis no humor, na percepção de bem-estar e no fortalecimento dos laços interpessoais. É o que revela um amplo estudo internacional publicado na conceituada revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), conduzido com mais de 10 mil participantes em 34 países, incluindo o Brasil.
A pesquisa demonstrou que intervenções simples de gratidão são capazes de aumentar o otimismo e a satisfação com a vida, além de reduzir expressivamente o sentimento de inveja.
“Isso é interessante porque sugere que uma intervenção que leva poucos minutos pode alterar não apenas como a pessoa se sente naquele momento, mas também como ela avalia sua vida e suas relações.”
— Paulo Sérgio Boggio, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coautor do estudo.
O Ranking das Seis Práticas Testadas
Os pesquisadores submeteram os participantes a seis tipos diferentes de exercícios para estimular a gratidão, medindo as reações psicológicas imediatas:
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Escrever e enviar uma mensagem de agradecimento: Foi a estratégia com maior efeito positivo entre todas as avaliadas.
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Reflexão de Naikan: Escrever sobre três fatos da semana anterior analisando o que você recebeu, o que deu e o que mais poderia fazer para ajudar.
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Contraste de ausência: Escrever sobre cinco coisas do dia anterior pelas quais se é grato e imaginar como seria a vida sem elas.
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Escrever uma carta de gratidão sem enviar: Redigir o agradecimento a alguém sem necessariamente despachar a mensagem.
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Carta espiritual: Escrever uma carta de reconhecimento a Deus, a uma força superior ou entidade espiritual.
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Listar cinco coisas pelas quais se é grato: Prática mais popular do senso comum, mas que apresentou o menor impacto no experimento.
Segundo Boggio, o envio da mensagem exige um esforço cognitivo e afetivo adicional — lembrar da contribuição do outro e verbalizar o reconhecimento —, o que dá maior peso emocional ao exercício do que uma simples lista mecânica de itens.
Variações Culturais e a Hipótese da “Espiral de Ajuda”
O impacto das práticas não foi homogêneo entre as nações, demonstrando que a resposta emocional à gratidão está associada a normas culturais, níveis de desigualdade social e religiosidade:
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Maior impacto: Registrado entre os participantes do México.
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Menor impacto: Efeito praticamente nulo observado na Noruega.
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Brasil: Posicionou-se em nível intermediário no ranking global.
Do ponto de vista evolutivo, os pesquisadores apontam que a gratidão opera como um pilar de sustentação para a cooperação humana, alimentando uma “espiral de ajuda” — mecanismo em que o indivíduo beneficiado se sente motivado a retribuir atitudes positivas a terceiros.
Os autores destacam, contudo, que os efeitos foram verificados no curto prazo após intervenções breves, alertando que a repetição automática ou forçada de exercícios pode esvaziar o sentido genuíno da experiência.
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