Veículo de luxo foi utilizado como viatura durante o cumprimento de mandados na sede da PGE; ação faz parte da Operação Heritage, que investiga desvio de R$ 308 milhões.
Uma cena inusitada chamou a atenção de quem passava pela sede da Procuradoria Geral do Estado (PGE) em Mato Grosso: um veículo esportivo Mustang GT 5.0 foi utilizado como viatura pela Polícia Federal durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. O carro de luxo estava estacionado bem em frente à porta de entrada do órgão público, compondo a frota da operação ao lado de uma Trailblazer descaracterizada e uma Ford Ranger com o adesivo padrão da corporação.
A utilização de um veículo desse porte tem amparo legal. O carro esportivo provavelmente é fruto de apreensão em operações anteriores da própria Polícia Federal. Mediante autorização da Justiça, veículos de luxo e bens confiscados de criminosos ligados ao tráfico de drogas ou contrabando podem ser reaproveitados e incorporados à frota das forças de segurança, sendo usados como viaturas policiais caracterizadas ou descaracterizadas.
O Contexto: A Operação Heritage
A presença ostensiva da Polícia Federal na PGE faz parte da Operação Heritage, deflagrada nesta quinta-feira (6). A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, peculato e uso indevido de informação privilegiada que teria desviado mais de R$ 308 milhões dos cofres públicos.
O foco da investigação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), é um acordo firmado em abril de 2024 entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi S.A. O entendimento encerrou uma disputa judicial sobre ICMS que durava mais de uma década.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que a operação financeira que garantiu o pagamento milionário foi utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos por meio de fundos de investimento em cascata e empresas de fachada, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação final do dinheiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, além de bloqueios de bens que chegam a R$ 316 milhões. Entre os alvos da investigação estão autoridades de alto escalão, como o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador Ricardo Almeida, além de secretários e procuradores do Estado. O portal VTnews acompanha os desdobramentos.




